Servofreio

Imagine que está num quarto que tem uma parede ao meio. Imagine que essa parede tem a capacidade de se deslocar para um lado ou para outro do quarto e que nunca passa ar da esquerda para a direita do quarto e vice-versa - a parede é estanque.

Imagine agora que, de um lado do quarto (uma das metades separada pela parede) começa a tirar ar lá de dentro por meio de uma máquina especial - bomba de vácuo.

Agora dirija-se para a metade do quarto que tem menos ar (menor pressão) e empurre a parede para o outro lado.

Hummm! Humm! Humm! Então? Está difícil de conseguir?

Sabe porquê ?

Porque do lado em que está colocado há muito menos pressão do que no lado contrário. Ao empurrar a parede, encontra uma pressão do outro lado muito superior à zona onde está colocado.

Agora vamos fazer o contrário. Dirija-se para a metade do quarto que tem mais pressão e empurre a parede.

Uhauuuu !!!!

Foi facílimo, não foi !? A parede deslizou sem esforço nenhum em direcção à outra ponta do quarto, não é verdade ?

Sabe porquê ?

Porque quando a empurrou, fê-lo no sentido da metade do quarto que está com vácuo (muito menos pressão). Como a parede quase não encontrou oposição do outro lado (devido à menor pressão), a sua força exercida foi muito menor para a deslocar.

Ora bem, o servo-freio funciona por este princípio. Existe um corpo dividido por uma membrana flexível.

No espaço de um dos lados da membrana é retirado ar por meio de uma bomba (caso dos motores diesel) ou por meio do vácuo criado pela entrada de ar no motor (caso dos motores a gasolina).

Assim, ficamos com muito menos pressão na semi-câmara do servo-freio à qual foi retirado ar.

Quando carregamos no pedal de travão accionamos o servo-freio, deslocando a membrana que separa as duas câmaras. Ao fazê-lo, devido à diferença de pressão, a nossa força exercida no pedal de travão multiplica-se.

Como o servo-freio está ligado à bomba central de travões, esta, pelo tal fenómeno hidráulico (princípio de Pascal), multiplica ainda mais a nossa força.

Finalmente, o óleo enviado sob pressão (via bomba central) vai accionar as bombas (mais pequenas) ligadas às rodas (placas ou pastilhas de travão nos discos / maxilas de travão no caso dos tambores) e estas multiplicam ainda mais a força de travagem exercida por nós no pedal de travão.

Resumindo:

O servo-freio é um sistema que tem como função tornar o accionamento do sistema de travagem mais confortável por exigir menor esforço no pedal do travão.

O servo-freio encontra-se montado entre o tirante do pedal de travão e a bomba hidráulica do circuito de travagem.

Como funciona?

O Servofreio é uma câmara dividida por uma membrana (o diafragma).

Quando não se acciona o pedal de travão, existe vácuo (criado pelo motor no colector de admissão ou por uma bomba de vácuo no caso de um diesel) de ambos os lados do diafragma devido ao canal de vácuo que liga as duas câmaras. O sistema encontra-se em equilíbrio e nada acontece.

Quando pressionamos o pedal de travão, o canal de vácuo que ligava ambos os lados da câmara é fechado e, de seguida, abre-se o canal de ar exterior do lado do pedal do travão.

Deste modo, ficamos com uma câmara com pressão superior à outra, ajudando a actuar a bomba hidráulica.

Quando largamos o pedal de travão a mola do diafragma obriga-o a retornar à posição inicial, o canal de ar exterior fecha e abre-se de novo o canal de vácuo.

O desenvolvimento mais recente dos sistemas de travagem é a chamada assistência à travagem.

Neste caso, quando o sistema detecta que a intenção do condutor é a de fazer uma travagem de emergência (através da medição da velocidade com que o pedal de travão é accionado), a assistência dada pelo servofreio é superior, permitindo maximizar o esforço da travagem.

Outro tipo de sistema utiliza uma bomba eléctrica para acumular fluído do sistema de travagem a uma pressão superior à que normalmente se obtém com a travagem no pedal.

Quando é detectada a intenção de uma travagem de emergência, um solenóide modula a quantidade de fluído que passa do acumulador para o sistema de travagem.