ABS

Já alguma vez aproveitou os corredores encerados da sua escola para patinar um bocadinho com aqueles sapatos acabadinhos de levar meias solas, protectores, etc ...  

Ainda se consegue andar uns bons metros, não é ?

 

Pois muito bem. Agora imagine que os seus sapatos são os pneus do seu carro durante uma travagem em piso escorregadio.

Já não tem piada nenhuma, pois não !?

Quando trava, devido ao piso escorregadio (muito pouco aderente), as rodas param e o veículo continua a andar patinando sobre os pneus.

Agora tire o pé do pedal de travão.

O que é que aconteceu ?

As rodas já começaram a rodar outra vez, não foi!

Agora trave mais um pouco até as rodas voltarem a bloquear.

Volte a tirar o pé do travão novamente para as libertar.

Trave, outra vez mais um bocadinho ...

Repita a operação tantas vezes quantas as necessárias até imobilizar completamente o veículo.

Muito bem!

Acaba de realizar uma travagem composta, isto é, em suaves prestações.

Há quem lhe chame fazer ABS de pé - como se o nosso pé fizesse de ABS mecânico.

Ora muito bem ...

Este efeito de travar/destravar/travar/destravar ... e por aí adiante, é exactamente o que um sistema ABS faz quando ocorrem dificuldades durante o processo de travagem.

Sensores colocados no veículo e nas rodas detectam quando as rodas param, mas o veículo continua a andar.

Assim que o módulo de controlo electrónico recebe esta informação, dá ordem ao sistema hidráulico para aliviar a pressão de travagem na roda que tem tendência para bloquear.

Logo de seguida, manda travá-la mais um pouco e assim sucessivamente, executando isto com uma perfeição incrível até que o veículo se imobilize.

A vantagem de aliviar a pressão de travagem reside no facto de libertar a roda para que o pneu ganhe aderência ao solo e, logo na travagem seguinte, já será necessário menor pressão de travagem e assim sucessivamente.

Este fenómeno, apesar de muito nos ajudar, tem uma particularidade muito mais interessante.

É que, como o sistema ABS nunca deixa que as rodas bloqueiem, caso tenhamos de contornar um obstáculo durante o processo de travagem, o veículo obedece sempre às ordens dadas por nós através da direcção. Isto porque não é permitido que a borracha do pneu escorregue, mantendo sempre o melhor nível de aderência. Pelo contrário, num veículo sem ABS com perda de aderência durante uma travagem, por muito que se utilize a direcção para escaparmos a um obstáculo, o veículo nunca obedece.

Com o advento da electrónica, os construtores de automóveis têm vindo a equipar os veículos não só com equipamentos de conforto cada vez mais complexos, mas também com sistemas de segurança activa cada vez mais complexos.

Dois bons exemplos são encontrados associados ao sistema de travagem: o ABS e o EBD.

Resumindo, o que é o ABS?

A sigla ABS significa Anti-lock Braking System, ou seja, sistema de travagem anti-bloqueio.

A função do ABS é então a de evitar que as rodes bloqueiem, o que quer dizer que por muito que pressionemos o pedal, as rodas nunca entrarão em deslizamento.

 

Qual as vantagens?

A principal vantagem do ABS é permitir a direccionalidade do veículo a qualquer momento, isto porque como as rodas direccionais não vão deslizar sobre a superficíe, mantêm a aderência e conseguem fazer com que o carro tenha direcção.

A segunda vantagem do ABS é a de maximizar o esforço de travagem, porque, ao contrário do que normalmente se toma por verdadeiro, um veículo não se imobiliza numa menor distância por bloquear as rodas.

Mas como funciona?

O ABS é gerido por uma unidade de controlo electrónico que mede a velocidade de rotação da roda 25 vezes por segundo. Se o veículo estiver a travar, o ABS vai aliviar o esforço de travagem sempre que detectar que uma roda está prestes a bloquear. Quando detecta que a roda se afastou do ponto em que poderia bloquear a força de travagem é restabelecida.

 

Este controlo é diferente conforme o tipo de ABS:

4vias/3 canais - Neste tipo de ABS temos sensores em todas as rodas, mas apenas três canais para a travagem (um para cada roda da frente e um terceiro para o eixo traseiro).

Deste modo, sempre que uma roda do eixo traseiro tende a bloquear, ao invés de se aliviar a pressão apenas nessa roda, ambas as rodas desse eixo vão perder pressão no circuito de travagem.

4vias/4canais - Como é óbvio o sistema anterior não é o ideal porque estamos a aliviar o esforço de travagem numa roda que poderia estar com a aderência máxima. Surgem então os sistemas que a cada roda têm associado não só um sensor como também um canal.

Consegue-se assim controlar a tendência para bloquear e maximizar o esforço roda a roda.

No próximo artigo técnico falaremos do EDB…!