Aerodinâmica Parte I

Por certo, já ouviu falar muito sobre a aerodinâmica dos veículos e seus efeitos práticos.

 

Devo dizer-lhe que, genericamente, as pessoas pensam que, quanto mais arredondados são os veículos, mais aerodinâmicos são. Mas isso não é totalmente assim.

Como já abordei noutro sector, a crise de petróleo dos anos 70 fez com que a indústria automóvel repensasse toda a estratégia de concepção.

Nessa época, carros grandes, pesados, com motores de cilindradas excessivas e, logicamente, com altos consumos, não eram bem recebidos pelo mesmo público que os tinha idolatrado. Porque agora a época era de crise - faltava uma economia mundial estável, faltava dinheiro aos consumidores, mas, sobretudo, faltava combustível, independentemente do recheio da bolsa de cada um.

Por consequência desta nova dificuldade, o desfio era fazer veículos tão próximos quanto possível da imponência, beleza e capacidades dos anteriores - só que, muito mais económicos!!!

Urge perguntar agora: como é que se consegue fazer um "elefante" comer pouco e manter-lhe a mesma aparência?

Bom! Muito simples!

Baixamos o peso e melhoramos a aerodinâmica!

Se baixarmos o peso, os veículos consomem menos. Por outro lado, tornam-se mais performantes (mais potência, força e velocidade) com consumos muito comedidos.

Se melhorarmos a aerodinâmica, conseguimos reduzir drasticamente os consumos em velocidade de cruzeiro (ou em alta velocidade), uma vez que a oposição ao movimento criada pelo ar presente na atmosfera é muito menor.

... E foi exactamente isto que aconteceu ...

Tornou-se a época da publicidade ao CX – coeficiente de penetração ao ar. Todos os construtores "faziam gala" em anunciar as conquistas no capítulo aerodinâmico.

Mas o que é isto da aerodinâmica?

Pois muito bem! Sabe porque é que os aviões voam?

Porque o homem conseguiu compreender os fenómenos do ar existente na atmosfera.

Veja bem !

Quando um corpo se desloca, tem de vencer a oposição criada pelo ar. Não esqueça que, apesar do ar não se ver, não deixa de ser matéria que gira à nossa volta.

Um veículo, quando se desloca no seio do ar, para que consiga vencer a sua oposição, tem de ter as seguintes características:

  • uma frente que não seja vertical como uma parede (já viu a dificuldade que um prédio teria ao andar na auto-estrada do Norte?...)
  • a parte posterior não deve acabar abruptamente, como se fosse uma parede.
  • toda a superfície deve ser lisa e fluída, de modo a proporcionar o escoamento do ar de forma rápida e linear - evitando vórtices (aquilo que popularmente designamos por remoinhos).
  • evitar ter uma área (superfície) frontal exagerada. Se é importante ter uma frente afilada para cortar o ar, não esqueça que, quanto maior a dimensão, maior a oposição.
  • não deve ter uma elevada altura ao solo, caso contrário, os vórtices de ar que se introduzem por debaixo do chassis vão oferecer uma importante oposição.

Não é por acaso que muitos veículos comerciais (nomeadamente pesados de longo curso) colocam acessórios por cima do tejadilho da cabina, de modo a que o ar não se "enrole" nessa zona contra a caixa de carga que transporta a mercadoria.

 

Por outro lado, além destes fenómenos, um corpo com uma forma inadequada, pode vir a ter graves problemas de estabilidade - pondo em causa a segurança dinâmica.