Condução em Segurança (Parte I - O Condutor)

Inexplicavelmente, logo após tirarmos a licença de condução, quase todos nós ganhamos vícios terríveis que constituem um autêntico atentado à nossa própria segurança.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

- Conduzimos, na maior parte das vezes, com o banco muito deitado. Embora se tenha a sensação de que assim é mais "racing", posso garantir-lhe que é muito mais "lenting"... não sei se percebeu este termo inglês que eu inventei agora ... Este tipo de posição de condução vai criar-nos sérios problemas em manter as duas mãos no volante, caso aconteça algo inesperado.

 

- Muitos de nós conduzem com uma mão no volante e outra na alavanca da caixa de velocidades. Ora, como em princípio a caixa de velocidades não vai cair para o chão, não vale a pena estar a segurá-la ... E há ainda quem ponha as mãos por dentro do volante nas manobras de viragem - se por qualquer motivo o asfalto estiver gorduroso, fazemos um "peão" antes mesmo de perceber o que está a acontecer.

 

- Há ainda quem conduza com as pernas demasiado esticadas. Já vi pessoas que apenas tocam a embraiagem com "a unha do dedo grande do pé esquerdo - se a unha se parte, já não metem mudanças."

 

- Outros conduzem tão flectidos e perto do volante, que arriscam aumentar a conta do dentista se tiverem de travar subitamente...

 

- Para completar a parafernália de vícios perigosos, normalmente, para fazermos as manobras de viragem do volante fazemo-lo com uma só mão (habitualmente a esquerda, porque a outra está na caixa). Pior ainda ... quando levamos as duas mãos no volante durante a tal "condução racing" em curva, abanamo-lo e sacudimos em pequenos raios de curvatura ... dizem alguns, para agarrar melhor à estrada. Ora, abanar o volante com pequenas viragens durante uma curva, faz com que as rodas de tracção nunca estejam estabilizadas a ganhar aderência no asfalto (perder tracção é perder estabilidade/segurança). Há-de experimentar começar a andar assim: sempre que dá um passo, esfrega bem o sapato no chão (como quem apaga uma beata de cigarro) e, só depois dá outro passo, repetindo a manobra com esse pé (sapato) - diga-me lá se sente mais segurança e chega mais depressa ao seu destino com este novo estilo...???

 

Mas não se preocupe, que não é o único(a). A maioria de nós são assim... Até mesmo os profissionais da condução, por vezes, quando estão sozinhos e após longas horas de saturação, acabam por relaxar demasiado e fazer algumas coisas que jamais admitiriam aos seus formandos ... Isto é humano - "Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço..."

 

Antigamente, conduzir era um prazer. Hoje em dia, tornou-se numa necessidade stressante e mecanizada (devido ao elevado tráfego) que nos leva a cometer alguns erros.

 

Pode perguntar agora: Então o que é que eu tenho de fazer?

 

Veremos nos próximos artigos...