Condução em Segurança (Parte VI - Manobras em Situação de Emergência)

Não são raras as situações em que os automóveis nos desobedecem. Quando assim acontece, costumamos dizer que eles ficam com muito mau feitio.

 

Automóveis de tracção à frente - normalmente, os automóveis de tracção à frente têm tendência para "fugir de frente" (subviragem) quando se faz uma passagem em curva com excessiva velocidade. Nestas situações, basta retirar repentinamente o pé do acelerador ou auxiliar com uma pequena e suave travagem, de modo a que ele ganhe novamente direccionalidade e tracção para acabarmos de descrever a curva.

 

Esta manobra faz rodar a frente do veículo para o interior da curva, dando-nos capacidade de a completar.

 

Automóveis de tracção traseira - aqui, o processo é totalmente contrário. Normalmente, os automóveis de tracção traseira têm tendência para "fugir de traseira" (sobreviragem) quando se faz uma excessiva passagem em curva. Nestas situações, uma ligeira e progressiva aceleração acompanhada de uma também suave e ligeira contra-brecagem (viragem do volante no sentido contrário para onde o veículo está a fugir), resolve a maior parte das situações.

 

Esta manobra faz rodar a frente do veículo para o interior da curva, dando-nos capacidade de a completar.

 

Porque é que estas manobras resultam?

Porque, se reparar bem, quaisquer das manobras anteriores faz transferir o peso do veículo para a frente ou para trás. Senão vejamos:

O acto de desacelerar ou travar um veículo de tracção dianteira, faz com que o peso se transfira para a frente (eixo onde está a tracção), ganhando ainda mais tracção/aderência.

 

O acto de acelerar um veículo de tracção traseira, faz com que o peso se transfira para a trás (eixo onde está a tracção), ganhando ainda mais tracção/aderência.

 

Voltando à posição das mãos no volante...

Já reparou que, se não tiver as duas mãos bem posicionadas no volante durante a condução, jamais vai ser capaz de reagir a tempo para poder executar algumas manobras de correcção da trajectória...?

Em resumo ...

Tire lá a mão da caixa, que ela não cai ... tire o braço da janela e volte a agarrar o volante, senão ainda constipa os cotovelos ... tire o pé do pedal de embraiagem, porque não vai lá estar nenhum engraxador para lhe abrilhantar o sapato... não abane o volante a curvar, senão o eixo da frente ainda apanha um "torcicolo"... seja suave a travar e acelerar, porque concerteza que também não gosta que lhe agarrem na camisola quando vai a correr ou o empurrem com brusquidão quando lhe pedem para começar a andar - se não gosta que o tratem assim, também não faça isso ao seu carro que custou tanto dinheirinho a comprar...

Não leve a mal eu estar a meter-me (brincar) consigo, mas olhe que estou a falar a sério - isto é para o seu bem.

Uma ajuda dos céus...

Não obstante, hoje em dia, os sistemas electrónicos como o controlo de tracção ou o controlo de estabilidade (já explicados anteriormente), entre outros exemplos, substituem o condutor ao desempenharem, de um modo muito mais rápido e perfeito, parte das manobras referidas anteriormente.

Quanto maior ajuda electrónica à condução tiver o seu veículo, menores são os riscos de acidente também. Deixe lá aquele vizinho que diz que a electrónica pode falhar e depois ... blá, blá, blá. A electrónica até pode falhar, mas, enquanto funcionar, está a protegê-lo a si e aos que viajam consigo.

E depois, mesmo que a electrónica falhe, dificilmente o seu carro vai deixar de acelerar, travar ou seja lá o que for - porque os órgãos mecânicos continuam lá.