Outros 4 importantes sistemas do motor

SISTEMA DE IGNIÇÃO

Como já foi referido, os motores a gasolina precisam de uma fonte externa para desencadearem a combustão do combustível (gasolina). A responsabilidade dessa intervenção pertence à vela (componente que quase todas as pessoas conhecem).

 

A vela produz uma faísca se for alimentada por uma corrente eléctrica de alta tensão. Para produzir essa corrente de alta tensão, é necessário um componente denominado bobina. A bobina, recebe uma corrente de baixa tensão e transforma-a em corrente de alta tensão devido a um enrolamento de fio de cobre que contém dentro de si e amplifica a corrente que acede ao seu interior.

Só que, como o motor tem sempre mais de um cilindro, é necessário distribuir essa corrente de alta tensão por cada um dos cilindros que está preparado para receber a faísca da vela, "incendiar-se" e provocar a expansão do pistão. Para isso, foi colocado um distribuidor de corrente. Esse distribuidor de corrente (denominado apenas por distribuidor), tem uma "patilha" , denominada por ROTOR, que roda por cima de contactos que deixam passar a corrente para cada um dos cilindros. Esse rotor vai rodando e passa por cima desses contactos que distribuem a corrente de alta tensão para cada vela de cada um dos cilindros, sequencial e alternadamente.

Para acumular a corrente de alta tensão, um condensador colocado dentro do distribuidor acumula essa corrente que, durante a passagem do rotor por cima do contacto eléctrico correspondente a cada cilindro, efectua um fornecimento estável de corrente para a vela de modo a minimizar o desgaste dos platinados, pois uma corrente estável evita a ocorrência de arcos

eléctricos prejudiciais aos contactos dos platinados. Sendo assim a corrente segue para a vela "incendiando" a mistura contida no cilindro que está preparada para "explodir".

Este distribuidor é accionado pela árvore de cames (veio que comanda as válvulas).

Com a evolução tecnológica, começaram a desaparecer os distribuidores convencionais que deram lugar a distribuidores apenas com rotor e, finalmente, a sistemas de ignição directa.

O que é um sistema de ignição directa ?

Como o próprio nome indica, um sistema de ignição directa é um sistema que, autonomamente, faz a ignição independente de cada um dos cilindros. Por este facto, cada cilindro tem bobina e vela integrada, de modo a passar corrente de alta tensão para a vela que precisa de "incendiar" o cilindro que está preparado para fazer a fase de explosão / expansão.

 

Este sistema é muito mais simplificado, poderoso e fiável que o sistema convencional de distribuidor.

 

Também se ouve falar de velas no sistema Diesel. Só que que as velas no sistema diesel não servem para fazer a mesma função que nos motores a gasolina. São velas de incandescência. Estas velas aquecem a câmara de combustão quando o motor está frio (é ligado pela primeira vez). A sua função é garantir o funcionamento rápido do motor quando está frio.

 

 

SISTEMA DE ARREFECIMENTO

Todos os motores têm de ter um sistema de arrefecimento, caso contrário, aquecem e gripam.

Para isso, é necessário criar um sistema de arrefecimento do motor.

No motor existem canais internos por onde passa água que o arrefece. No entanto, para que a água que lá passa arrefeça o motor, é necessário que ela esteja mais fria. O órgão que arrefece a água é o radiador. O radiador é um órgão com muitos tubinhos fininhos por onde passa a água quente que arrefeceu o motor e, por isso mesmo, ficou quente.

Como o radiador está montado na frente do motor (logo atrás da grelha existente no capôt), o ar que passa na frente do capôt arrefece o "corpo" do radiador que, por sua vez, arrefece a água que passa no seu interior.

Para que a água circule, arrefeça no radiador, passe pelo motor e arrefeça o motor e, consequentemente, volte a passar no radiador para ser arrefecida, é necessário que algo a "empurre" para circular. Assim, uma bomba de água encarrega-se de garantir esta função.

A bomba de água é uma espécie de ventoinha que impulsiona a água para percorrer todo o caminho descrito anteriormente.

Esta bomba está ligada à cambota por uma correia, para poder ser accionada.

No entanto, quando o motor está frio (logo no arranque), não faz sentido arrefecê-lo. Por esse mesmo motivo, um termostato (órgão montado na tampa superior do radiador) fecha o circuito da água para o motor e ela circula apenas no circuito do radiador enquanto o motor está frio. Quando o motor aquece, o termostato abre e deixa que a água percorra o interior do motor, para que ela aqueça e o motor arrefeça, passando depois pelo radiador para arrefecer e ter condições de, ela própria, arrefecer o motor.

Para abastecer o circuito de água, existe um vaso de expansão que alimenta o sistema se houver alguma insuficiência. É neste reservatório que se repõe o nível de água caso haja consumo, como muitos de nós já sabemos.

 

SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO

Como referimos anteriormente, a fricção dos componentes internos metálicos do motor não pode existir, correndo-se o risco de aquecerem e, consequentemente, griparem. Como tal, é necessário interpor óleo entre as partes em fricção (pistão com o cilindro, biela com a cambota, etc...).

Para que o óleo depositado no cárter seja enviado para os canais internos do motor, é necessário outra bomba (bomba de óleo). Esta bomba é comandada pela cambota ou pela árvore de cames (que é a mesma coisa, uma vez que esta é comandada também pela cambota).

A razão de tudo depender da cambota é para que os movimentos sejam sincronizados. Imagine a "barraca" que seria se uma vela" incendiasse" quando o pistão de determinado cilindro estivesse a fazer admissão ou escape...

Ou, imagine que uma válvula de admissão ou escape abria na fase em que um pistão faz a compressão

- como é que o pistão pode fazer compressão se as válvulas estiverem abertas ? Daí a razão da árvore de cames estar comandada pela cambota.

 

 

SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO

O sistema de distribuição, como o próprio nome indica, é o grupo de órgãos que assegura que tudo funciona sincronizadamente. A partir da cambota, um sistema comandado por uma correia ou corrente, acciona um conjunto de engrenagens que movimenta a árvore de cames, o distribuidor nos motores a gasolina, a bomba de injecção nos motores diesel, etc...

Isto para que tudo funcione sincronizadamente !!!

Mas o que é isso da árvore de cames ?

Será a árvore que dá cames ? E as cames sabem a quê ?

Não! Nada disso !

A denominada árvore de cames é um veio que tem uma espécie de "ovos" (cames - excêntricos) integrados.

Estas cames são ovaloides que servem para pressionar as válvulas de um forma progressiva. Se reparar, quando uma came dá uma volta completa, começa por pressionar progressivamente a válvula. (de modo a que ela abra) e, quando a came roda até atingir a válvula com a sua extremidade, significa que a válvula está no seu ponto de abertura máximo - de modo a deixar entrar o ar dentro do motor ou a deixar sair os gases de escape.