Transmissão - Parte I (Embraiagem)

Quais são os órgãos que fazem parte da transmissão?

 

1 - Embraiagem - órgão que liga e desliga o motor da caixa de velocidades.

2 - Caixa de Velocidades - caixa que permite fazer variar a força e velocidade do veículo.

3 - Diferencial - órgão que recebe movimento da caixa de velocidades e o distribui pelos semi-eixos e rodas.

4 - Semi-Eixos - eixos (varões de aço) que recebem movimento do diferencial e entregam esse mesmo movimento (sem perda de velocidade) nas rodas. Dizem-se semi-eixos porque são cada um per si, o correspondente a metade de um eixo completo.

5 - Uniões Homocinéticas - uniões da transmissão, isto é, órgãos que estão ligados nas pontas dos semi-eixos. Uma união está na ponta do semi-eixo que liga ao diferencial e a outra união está na ponta do semi-eixo que liga à roda. Estas uniões encarregam-se de transmitir o movimento sem perdas de energia (a rotação que recebem é igual à rotação que entregam). Dizem-se homocinéticas porque são de energia cinética (movimento) constante. Estas uniões estão cobertas por um fole que protege e não deixa perder para o exterior a massa lubrificante que evita a sua gripagem. Quando os foles protectores destas uniões se rompem, a poeira e a água existente nas estradas vai gradualmente se interpondo na massa lubrificante até que chega a um ponto que desaparece por completo. Quando assim acontece, as esferas metálicas contidas nestas uniões aquecem e gripam. Quase todos os automobilistas já passaram por esta experiência – é quando (na gíria) dizem que têm de substituir os foles da "transmissão"ou "as transmissões".

EMBRAIAGEM

A embraiagem é uma espécie de "fusível" mecânico. A sua existência serve para garantir que o motor "se ligue" e "desligue" da transmissão. A razão desta necessidade é a seguinte: para podermos engrenar os carretos da caixa de velocidades (durante a selecção das mudanças), é necessário que os carretos parem, caso contrário, não conseguimos ou estragamos a caixa de velocidades por "arranharem as mudanças".

A embraiagem é constituída por um disco abrasivo de modo a poder ter um forte atrito. Este disco "cola e descola" do volante do motor.

Oihh ? Esqueci-me de falar anteriormente do volante do motor. Não faz mal, ainda consigo ir a tempo. O volante do motor é um "grande bolacha" metálica que está fixa à cambota (veio do motor). Tem três funções principais:

  •  poder ser "agarrado" pelo disco de embraiagem.
  •  suavizar o movimento da cambota.
  •  receber movimento do motor eléctrico de arranque para colocar o motor em funcionamento.

Como facilmente se pode perceber, o movimento alternativo dos pistãos do motor criam um movimento algo incerto. Para suavizar esse movimento e "dar balanço" ao motor existe este denominado volante, também conhecido por volante de inércia (volante de inércia porque aproveita a quantidade de movimento gerada pelo motor e dá-lhe continuidade - o tal "balanço").

Este órgão é tão importante que, caso não existisse, o motor não seria capaz de se manter em movimento.

Mas dizia eu ...

Quando o pedal da embraiagem está livre (posição em cima) o disco de embraiagem "cola" ao volante do motor. Devido ao atrito do disco, como o volante do motor está a rodar continuamente (por estar solidário com a cambota), a embraiagem roda também à mesma velocidade. Por sua vez, a embraiagem está ligada à caixa de velocidades através do seu veio de entrada – veio primário.

Quando precisamos de seleccionar uma "outra mudança" na caixa de velocidades,

pressionamos com o pé o pedal da embraiagem. Ao fazermos este gesto, "descolamos" o disco de embraiagem do volante do motor - e assim, a caixa de velocidades fica livre para engrenarmos "nova mudança".

Quando nos dizem nas escolas de condução para não conduzirmos com o pé em cima da embraiagem, a razão é muito simples: Ao apoiarmos (mesmo que ligeiramente) o pé no pedal, pressionamos as molas existentes na embraiagem e o disco não fica em perfeito contacto com o volante do motor.

Como resultado disto, vai haver uma ligeira patinagem do disco no volante e, consequentemente, o disco aquece e perde eficácia até deixar de ter atrito. Quando assim acontece, diz-se que se queimou o disco da embraiagem e, neste caso, só a sua substituição resolve o problema. Este tipo de erro paga-se bastante caro porque é difícil e moroso mudar a embraiagem a um veículo.

A FUNÇÃO DA EMBRAIAGEM

 A embraiagem é o elemento da transmissão que permite interromper a passagem de movimento do motor para a caixa de velocidades. Como tal, está sempre localizada entre o motor e a caixa de velocidades.

Além disso permite que a ligação destes dois elementos se dê de uma forma gradual de modo a que a transmissão do movimento seja suave e progressiva.

O funcionamento da embraiagem tem dois momentos diferentes:

- Posição embraiada: o pedal da embraiagem não é pressionado, logo a embraiagem está encostada ao volante do motor permitindo a passagem de movimento;

- Posição desembraiada: o pedal da embraiagem é pressionado pelo condutor obrigando a embraiagem a desencostar do volante do motor. Interrompe-se deste modo a transmissão de movimento.

Para cumprir eficazmente a sua função, a embraiagem tem de possuir boas características de:

- Progressividade, para que a transmissão de movimento se dê suavemente devido a um ligeiro patinar do disco da embraiagem sobre o volante do motor;

- Aderência, de modo a que quando se embraie (posição completamente encostada ao volante do motor) não patine;

- Resistência às altas temperaturas para resistir ao calor gerado na fase de arranque (principalmente em declives acentuados);

A actuação da embraiagem pode ser feita através de sistemas mecânicos ou hidráulicos.

No primeiro caso temos um conjunto de tirantes que ligam o pedal à alavanca actuadora da embraiagem.

No segundo caso, ao pressionarmos o pedal, accionamos uma bomba que actua um mecanismo hidráulico responsável pelo desembraiamento do disco da embraiagem.